Rota da Dieta Mediterrânica

O Algarve

A elevação da Dieta Mediterrânica a Património Cultural Imaterial da Humanidade, vai permitir a promoção das memórias da confecção de pratos tipicamente associados à realidade da cultura da região Algarvia e valorizar as tradições arreigadas associadas à serra e mar, que nos permitem, ainda hoje manter, fortes “tradições à mesa”.

O saber gastronómico constitui um valioso património que deverá ser preservado para que prevaleçam as técnicas, usos e costumes tão específicos desde o cultivo dos produtos até à sua confecção.

Segundo Francisco Sampaio, Presidente da Região de Turismo do Alto Minho (RTAM), é importante a preservação e valorização [do saber gastronómico], que devera ser encarado como tão importante como a de qualquer outro elemento do património cultural.

Neste sentido, reconhece-se a necessidade de promover junto dos turistas e população em geral, um património gastronómico, existindo exponencialmente um mercado alargado para experiências gastronómicas que constituem uma importante oferta como opção ao binómio sol/praia.

A cultura gastronómica não se expira com períodos do ano específicos e os amantes do património culinário viajam todo o ano para os seus destinos de eleição à procura de experiências autênticas e de aprendizagem, levando consigo um conhecimento acrescido sobre a cultura e tradição de um país.

O projecto a desenvolver tem por objectivo reforçar as oportunidades e divulgar a gastronomia algarvia, a par dos produtos e saberes tradicionais, como subproduto turístico regional merecidamente reconhecido.

Celebração de um património imaterial que se encontra ameaçado à escala global, tendo em conta a concorrência e disseminação de restaurantes fast- food e de restaurantes de culinária oriental, bastante disseminados na região algarvia e que os estrangeiros residentes, frequentam regularmente

A presente candidatura e respectivas propostas pretendem agilizar um conjunto de acções e iniciativas com carácter informativo e pedagógico, tendo em conta a singularidade da realidade algarvia que expomos nos seguintes pontos:

  • Formação deficiente dos jovens do ensino escolar regular para a realidade regional e potencialidade da Dieta mediterrânica na biodiversidade, gastronomia, cultura e tradição;
  • Desconhecimento por parte dos jovens algarvios das receitas típicas algarvias, especialmente a realidade gastronómica Algarvia;
  • Devido aos fenómenos de globalização, verifica-se um desapego da população, em geral, em relação aos produtos locais, cuja valorização é a premissa fundamental para as gerações futuras;

A este propósito, Lévi-Strauss, famoso antropólogo e filósofo, refere na sua importante obra que “a cozinha de uma sociedade é a linguagem de onde ela traduz inconscientemente sua estrutura”, sendo neste sentido importante preserva-la. In LÉVI-STRAUSS apud POINER, Jean, História dos Costumes: o homem e seu meio natural, 4º volume, Lisboa, Ed. Estampa, 2000, p.218.

Os historiadores Duby e Ariés a este propósito afirmam que “cada prato é instrumento de memória do passado, do sagrado. A mesa é um lugar pedagógico e a cozinha um lugar de elaboração da história”, que deverá ser preservado e passado às gerações seguintes ARIÈS, Philippe, DUBY, Georges, História da Vida Privada, Da Primeira Guerra a nossos dias, Nº 5,Ser imigrante na França, São Paulo, Cia das Letras, 2001, p.465.

Segundo o Inventário dos Recursos Turísticos do Turismo de Portugal (DGT- 1991), a Gastronomia Tradicional Portuguesa encontra-se classificada como um recurso turístico primário encontrando-se fortemente aliada a festivais ou a concursos.

Um dos responsáveis pelas 7 Maravilhas, Luís Segadães reforça a importância da preservação deste património milenar referindo que “de Norte a Sul, do Litoral ao Interior e nas Ilhas, Portugal oferece uma grande diversidade de paladares, para todas as bocas, para todos os gostos. As artes culinárias constituem um património intangível, testemunho da nossa identidade cultural. Este reconhecimento das artes culinárias cria uma forte responsabilidade no que respeita à defesa da sua autenticidade, bem como à sua valorização e divulgação, tanto no plano interno quanto no plano internacional, constituindo um factor de atracção turística com grande importância económica” in RTP1 “Mostra Xarém com Conquilhas em directo de Olhão”, (04/07/2011).

O Algarve concorreu com várias receitas tradicionais às “7 Maravilhas da Gastronomia” (2011), iniciativa que divulgou e promoveu o património gastronómico regional e nacional, constituindo uma oportunidade para mostrar além-fronteiras a diversidade da oferta e qualidade dos sabores genuínos de uma região.

Segundo os organizadores das “7 maravilhas”, as artes culinárias “constituem um património intangível, testemunho da nossa identidade cultural, e são factor decisivo na escolha de Portugal como destino turístico”.

A organização das 7 Maravilhas reconhece o seu papel e responsabilidade como “promotor por excelência da identidade nacional de Portugal (…), salvaguardado o receituário português, garantindo o seu carácter genuíno, promovendo os produtos agrícolas de superior qualidade e privilegiando a diversidade regional”. In página Oficial 7 Maravilhas (http://www.7maravilhas.sapo.pt/#/o-que-ja-fizemos/7-maravilhas-da-gastronomia/)

Vários estudos têm vindo a mostrar que as mais recentes escolhas turísticas dão preferência ao Turismo Cultural incluindo as experiências interculturais. [São] nestas experiências interculturais que o novo turista (Séc. XXI), mantém a sua aposta. Isto é, já não basta apresentar o Inventário Turístico tradicional – alojamento, alimentação e transporte (oferta tangível). O Século XXI reclama novas emoções e novos afectos ligados à oferta intangível. É aqui onde entra a nova Gastronomia como experiências únicas que são vividas, para além e dentro da cultura, como mote de Produto Turístico – a Gastronomia Típica das nossas zonas rurais (aldeias). SAMPAIO, Francisco, Gastronomia como produto Turístico, nº de Turismo e Património, Revista Exedra, 2009,p.119.

Segundo Luiziane Segala, o “Turismo Gastronómico está directamente ligado ao prazer e à sensação de saciedade adquirida através da comida e da viagem. Algumas regiões aproveitam-se de sua cultura, história e tradições e divulgam [-se] através da gastronomia, lançando um produto turístico distinto que também é parte integrante do turismo cultural como os roteiros gastronómicos. A Gastronomia, sendo uma das manifestações culturais mais expressivas é um grande pólo de atracção de fluxos turísticos e constitui um dos eixos do turismo cultural, além de viabilizar e universalizar a troca humana e o convívio entre culturas, costumes e hábitos distintos. SEGALA, Luiziane Viana, In Revista Turismo, Gastronomia e Turismo Cultural, Brasil, Out/03. http://www.revistaturismo.com.br/materiasespeciais/gastronomia.htm

  • LÉVI-STRAUSS apud POINER, Jean, História dos Costumes: o homem e seu meio natural, 4º volume, Lisboa, Ed. Estampa, 2000.
  • página Oficial 7 Maravilhas (http://www.7maravilhas.sapo.pt/#/o-que-ja-fizemos/7-maravilhas-da-gastronomia/)
  • RTP1 “Mostra Xarém com Conquilhas em directo de Olhão”, (04/07/2011).
  • SAMPAIO, Francisco, Gastronomia como produto Turístico, nº de Turismo e Património, Revista Exedra, 2009.
  • Turismo, Gastronomia e Turismo Cultural, Brasil, Out/03. in http://www.revistaturismo.com.br/materiasespeciais/gastronomia.htm